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Como atender melhor o paciente com zumbido

zumbido
Luciana Garolla
Escrito por Luciana Garolla

Muitos fonoaudiólogos acham que é um desafio tratar os pacientes com zumbido, embora este seja um sintoma bem comum. Principalmente porque o barulho tem diferentes causas e o tratamento que funciona para um paciente pode não funcionar para outro. Além disso, muitos clínicos não se especializam nesse tipo de problema e podem se sentir inseguros ao aconselhar o paciente. 

Sabendo disso, o Ida Institute (https://idainstitute.com) propõe algumas ferramentas que podem ajudar muito quando o paciente que procura atendimento tem zumbido.  Estas ferramentas são baseadas no conhecimento e experiência de 15 especialistas internacionais que trabalharam com os aspectos psicossociais e abrangentes no gerenciamento do murmúrio. São especialistas dos Estados Unidos, Austrália, Reino Unido, Alemanha, Itália,  Suíça, Dinamarca e Canadá que participaram de um mini seminário sobre o desafio do tratamento do zumbido na Dinamarca, em dezembro de 2015. 

Quais são os benefícios de usar essas ferramentas? 

  • Transmitir uma mensagem de esperança ao falar com pacientes com zumbido;
  • Mostrar empatia ajudando o paciente a construir a resiliência;
  • Explorar o significado do zumbido para o paciente e como isso afeta suas vidas;
  • Fornecer aconselhamento e estratégias de enfrentamento relevantes aos pacientes.

O Termômetro do Zumbido 

(https://idainstitute.com/tools/tinnitus/get_started/tinnitus_thermometer/) 

Dentre estas ferramentas está o “termômetro do zumbido”, que oferece a estes pacientes uma forma diferente de agir quando o zumbido está presente. A ferramenta do termômetro do zumbido consiste em três perguntas que vão ajudar o clínico a estruturar melhor a entrevista do paciente que apresenta zumbido e também a avaliar como este paciente experiencia o zumbido em um momento específico do seu dia. As perguntas são abertas para permitir uma diversidade de respostas. É importante que o clínico ouça ativamente e dê ao paciente espaço para expressar seus sentimentos e pensamentos sobre o zumbido.   

Como usar esta ferramenta 

Você irá levar aproximadamente cinco minutos para fazer as três perguntas.  Após cada pergunta anote as respostas nos espaços delimitados. 

Baixe o PDF original aqui.  O arquivo irá permitir a inserção dos dados do seu paciente direto no PDF original  

A primeira pergunta é: “Quando você pensa no seu zumbido, o que você sente? Responda com uma ou duas palavras que descrevem como você se sente sobre seu problema. “ 

Porquê fazer esta pergunta? A maioria das pessoas apresentam crenças importantes sobre determinado problema. Ao descobrirmos que crenças são estas, poderemos adaptar as informações oferecidas e aconselhar de forma mais apropriada. 

A segunda pergunta é: “Qual sua expectativa sobre essa consulta?” 

Porquê fazer esta pergunta? Esta questão se concentra nas necessidades do paciente no momento específico da consulta. Ele também ajuda a ajustar as expectativas sobre o resultado da consulta. 

A terceira pergunta é: “Na semana passada, houve algum momento em que seu zumbido foi menos incômodo?” Se o paciente não conseguir pensar em nenhuma situação, você pode então perguntar: “Existe alguma coisa que você faça que te ajude a diminuir a percepção do seu incômodo?” 

Porquê fazer esta pergunta? A terceira pergunta direciona a atenção para as experiências positivas, se houver alguma, que ocorreram mesmo na presença do zumbido. Trazer à tona experiências positivas também pode contribuir para a elaboração de estratégias que podem ajudar seu paciente no futuro, sejam elas a psicoterapia, terapia em atenção plena (mindfullness), terapia com estímulos sonoros, entre outras opções. 

As perguntas também podem ajudar o clínico a descobrir como seu paciente lida com este problema:

Como um som ou como uma dor física e/ou emocional? Isso pode até ser mais explorado, pedindo ao paciente para fechar os olhos e imaginar o que eles veem quando eles pensam nesse mal, e pedir-lhes para descrever o que parece. 

No final da entrevista o clínico pode então explicar o motivo dessas perguntas: “A razão pela qual eu fiz essas perguntas a você é para avaliar a “temperatura” do seu zumbido;  para descobrir quais são suas preocupações sobre ele e assim poder elaborar melhores estratégias que te ajudem a resolver esse problema. Existe alguma outra informação sobre seu zumbido que você gostaria que eu soubesse ou que você gostaria de saber? “ 

As perguntas do Termômetro do Zumbido podem parecer simples, mas são uma maneira eficaz de “medir” como o desconforto de um paciente é incômodo ou intrusivo naquele momento. 

Após o paciente ter respondido as perguntas, o clínico pode pedir ao paciente para avaliar seu nível de desconforto no termômetro abaixo de cada resposta, dizendo:  “Marque de 0 a 10 o nível que melhor descreve o quanto seu zumbido te incomodou na semana passada, inclusive hoje.” Zero indica “Nenhum som anormal” e 10 é o “Pior barulho possível“. 

Essa mesma ferramenta pode ser usada para rastrear ou monitorar como os pacientes progridem ao longo do tempo e determinar as estratégias de reabilitação mais eficazes.  

 

Fonte: 

https://idainstitute.com 

https://idainstitute.com/tools/tinnitus/get_started/tinnitus_thermometer/ 

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2 Comentários

  • Tenho zumbido, direto sem intervalo, no ouvido esquerdo é mais irritante. Parece que tenho uma válvula da panela de pressão dentro do ouvido, óbvio que mno silêncio me incomoda mais muito mais, tenho esse zimbido há anos e me deixa muito nervosa, pricipamente à noite quando vou dormir. Halp, preciso me livrar dele!!

    • Tenho zumbido, direto sem intervalo, no ouvido esquerdo é mais irritante. Parece que tenho uma válvula da panela de pressão dentro do ouvido, óbvio que no silêncio me incomoda mais muito mais, tenho esse zumbido há anos e me deixa muito nervosa, pricipamente à noite quando vou dormir. Help, preciso me livrar dele!!